Contos Africanos 25. O ELEFANTE, ESCRAVO DO COELHO

Contos Africanos 25. O ELEFANTE, ESCRAVO DO COELHO

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Uma vez, o Coelho andava a passear e encontrou um grande ajuntamento de animais sentados à sombra de uma árvore. Cheio de curiosidade, quis logo saber do motivo daquela reunião e perguntou:
Então o que é que se passa? Que novidades há por aqui?
Um dos animais explicou:
Trata0se de um milando e estamos à espera do Elefante, o nosso chefe, para o resolver.
O quê?O quê?O Elefante vosso chefe? - perguntou o Coelho, franzindo a testa.
E continuou:
O Elefante não é chefe nenhum! O Elefante é meu escravo e leva0me sempre às costas a qualquer parte que eu queira!
Alguns do grupo admiraram-se:
Como pode o Elefante ser teu escravo se tu és tão pequeno?
O ser pequeno nada tem a ver com o meu valor - replicou o Coelho.
E, em tom autoritário, acrescentou:
Já vos disse e torno a dizer que o Elefante não é chefe, é meu escravo, e por isso, vocês podem ir embora daqui, que nesta coisa de resolver milandos ele não tem nada que se meter.
Dito isto, o Coelho dirigiu os passos para sua casa e muitos dos animais foram-se também embora dali por terem acreditado nas suas palavras.
Algum tempo depois, chegou o Elefante e perguntou:

Então onde estão os outros que aqui faltam? Atrasaram-se na viagem?

Não!

explicaram-lhe os poucos animais que lá tinham ficado.
Os que aqui faltam foram0se embora há pouco tempo, porque passou neste lugar o Coelho e disse-nos que tu, Elefante, não és chefe, mas sim, um escravo dele.O Elefante tremeu todo de indignação e, muito furioso,
resmungou:

Ah, Coelho malandro! Coelho vigarista!Deixa lá que, hoje mesmo, me darás conta de palavras tão injuriosas e tão vis!.
Entretanto, o Coelho chegou a casa e fingiu-se doente. A mulher, cheia de pena, foi estender uma esteira e o Coelho deitou-se nela.
Daí a momentos chegou a Impala, que era cunhada do Coelho, avisando-o de que o Elefante já se aproximava para lhe fazer mal. E, transmitido o recado, retirou-se.
O Coelho, manhoso, entrou então em grandes convulsões, soltando, ao mesmo tempo, gemidos tão lastimosos que era mesmo de partir o coração.
Chegou o Elefante que se pôs a roncar, muito mal disposto:

Ó Coelho, ó malandro, salta depressa cá para fora, que tens de me acompanhar.
O Coelho murmurou, a gemer e entrecortando as palavras:

Oh! Porfavor! Desculpe-meporque eu não estou bom!dói-me muito o corpo todo! Isto foi um mal que me deu de repente.

Não quero saber! Seja como for, tens de vir comigo ao lugar onde estão reunidos os outros animais, porque ouvi dizer que tiveste o descaramento de enxovalhar o meu título de chefe e de dizer que eu sou teu escravo replicou o Elefante.

Tens toda a razãomas o certo é que eu não aguento caminhar para te poderacompanhar!

Já te disse, tens de vir comigo, custe o que custar, mesmo que eu tenha de te levar às costas ordenou o Elefante.

Então só se for desse modo, mas fica sabendo que mesmo assim a viagem me vai ser muitopenosa.
E, logo a seguir, chamou a mulher e disse, chorosamente:

Dá cá a minha camisa nova. HiHiHiHivai também buscar as minhas calças novas.
E, depois:

Já agora, traz também os meus sapatos novos! É que pode acontecer que eu morra e, ao menos, quero morrer com os meus trajes mais ricos.
Uma vez o Coelho vestido e calçado, o Elefante abaixou-se e o Coelho saltou-lhe para as costas, onde se instalou muito bem instalado.
Estava um calor de rachar pedras. Antes de partir, o Coelho gritou para a mulher:

Ó mulher, dá-me cá a sombrinha porque está muito calore posso agravar os meus males com alguma insolação.
O Elefante, em grandes e rápidas passadas, pôs-se a caminho da reunião.
Quando se aproximavam do lugar, o Coelho, deixando de fingir que estava doente, ensaiou uma atitude de pessoa importante e esboçou um sorriso feliz.
Os outros animais ao verem o Coelho assim todo solene e bem apresentado, às costas do Elefante, começaram todos com grandes exclamações:

Olha! Olha!Sempre é verdade o que o Coelho dizia. O Elefante é escravo dele pois que o traz às costas.
Quando o Elefante parou, o Coelho deu um salto, muito ágil e elegante, para o chão e, tomando a palavra, dirigiu-se assim aos outros animais: Estão a ver?Estão a ver?Eu não vos dizia que o Elefante é o meu escravo?
Todos os animais presentes romperam em grande gritaria, clamando:
É verdade, sim senhor, é verdade. Tu, Elefante, não és chefe nenhum!És escravo do Coelho pois o carregas às costas.
O Elefante só então deu pelo acto de estupidez que cometera e, cheio de vergonha, desandou dali para fora.

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