A MÃO INVISÍVEL E AS PUNHETAS AO MERCADO LIVRE. Antonio Gil

A MÃO INVISÍVEL E AS PUNHETAS AO MERCADO LIVRE. Antonio Gil

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Para começar: só totós que absorveram todas as patranhas que leram sem pensar por um momento acreditaram que alguma vez, à face da Terra, existiu algum mercado livre.

Nunca existiu tal coisa: o chamado ''mercado livre'' sempre foi imposto pelos mais fortes. Quem como eu viveu numa colónia sabe disso: a proibição de plantação de vinhas em Angola destinava-se a escoar o vinho português.

Mas nem vou insistir no débil caso nostro. Quem realmente dominava estas questões eram os anglo-saxónicos. Eles fabricaram mil e uma proibições para impedir suas colónias de produzirem o que eles queriam vender, com mais valia, a troco de matérias primas.

Nisso, até os franceses foram seus reles imitadores. Mas com eles, todas as potências coloniais europeias, nem sequer foram um ''caso especial''.

A ''mão invisível'' do mercado foi, portanto, sempre uma estorinha fabricada para enganar idiotas. As mãos que ''embalaram'' esse berço de facto governaram o mundo durante séculos mas sobretudo desde a revolução Industrial (que sabemos bem onde começou).

Acabou-se: essa ''mão invisível'' já não faz mais punhetas aos interesses ocidentais. Agora dá chapadonas aos crentes. E eles nem percebem bem de quem as recebem.

Tudo se passa como se numa sessão espírita, o suposto ''médium'' começasse a levar umas valetes bofetas de um espírito não convocado.

E de repente começasse a gritar: '' a culpa é dos invocadores de espíritos não licenciados''. Esse protesto, diante de quem assiste, não vale de muito, pois não?

Se ''espíritas'' não licenciados usam sua ''mão invisível'' para castigar o ''espírita licenciado'' daquela forma pública, diante de seus próprios fiéis, estes não vão pensar nada do tipo:
- Realmente, o nosso espírita tem razão, isto não se faz, não é natural''

E não é natural que assim se pense porque esses adeptos do espiritismo e crentes na mão invisível sempre acreditaram no sobrenatural.

Logo, se uma mão invisível sobrenatural (que dispensa licenciamento, portanto) começar a distribuir chapadas, em vez de bater punhetas aos crentes, o espírita perde sua credibilidade e os crentes vão mazé procurar outro espírita que pareça ter uma relação mais amigável com a ''mão invisível''.

Ou, se tiverem juízo, deixarão de crer em mãos invisíveis: quem está interessado nestas se elas só servirem pra distribuir chapadas?

A MÃO INVISÍVEL E AS PUNHETAS AO MERCADO LIVRE. Antonio Gil