A Visão da lagartagem. Antonio Gil

A Visão da lagartagem. Antonio Gil

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Na visão dos crentes da lagartagem (não estou a falar dos sportinguistas), os imigrantes vindos de outras galáxias não roubam os empregos dos que cá estavam - como nos garantem os fascistóides - mas pelo contrário, empregam-nos e colocam-nos a trabalhar para seus propósitos.

Esta visão pressupõe que se fossemos capazes de correr com esses imigrantes alienígenas, tudo ficaria resolvido. Talvez nem precisássemos de trabalhar, bem vistas as coisas, já que só o fazemos para cumprir os objectivos dos extra-terrestres.

Como não estabelecem em que altura histórica os lagartos disfarçados de humanos aqui chegaram, é de recear que nenhum progresso científico tenha sido alcançado sem a sua intervenção ou pelo menos supervisão.

Portanto, se levássemos a sério tal hipótese, teríamos de admitir que todas as etapas do conhecimento - que consideramos conquistas humanas - foram condicionadas e controladas pela lagartagem.

Donde, se aniquilássemos ou expulsássemos os escamudos, haveria o risco de regressarmos a eras remotas ou, inversamente, de evoluirmos noutras direcções quiçá mais proveitosas.

Mas sobre isto os cultores da ''teoria'' nunca nos falam, eles não parecem muito interessados nem no nosso passado nem no nosso futuro, só em nos convencerem que presentemente eles é que conhecem a realidade que se esconde por detrás das aparências e os outros não passam de idiotas que vivem iludidos sobre a verdadeira natureza do poder.

Em todos os casos, estaríamos tão no escuro para avaliar o que seria a vida humana sem os répteis dominadores como estamos agora, sem eles, pelo que nem se pode dizer que aqui - ao contrário das religiões cuja mensagem é de alimentar a esperança - a incerteza seria talvez até maior que aquela em que já vivemos.

Ou seja, a fé que esta ''teoria'' nos exige é do mesmo grau que a das religiões - a menos que um dia destes um reptiliano acordasse com ressaca e se esquecesse de sua fantasia carnavalesca de humano e nós o pudéssemos ver como ele era, mas sem a parte da esperança num qualquer paraíso -caso nos portássemos bem - que as religiões se esforçam por fornecer,

Mas mesmo assim gosto de ler e ouvir as patacoadas dessa malta. É pena que - tal como acontece com os religiosos - não seja possível desfrutar de uma conversa racional com eles pois teria inúmeras questões a colocar-lhes.

Há só uma única vantagem em falar com eles, relativamente aos religiosos: não ameaçam com o fogo dos infernos ou outras condenações e - exceptuando o facto de eles ''saberem'' mais que nós - não consideram que terão mais sorte que os demais porque - oh que azar o deles também - nesta visão estamos todos - crentes e não crentes - quinados.

A menos que todos entendamos que a lagartagem nos domina, claro. Aí, unindo-nos contra tais criaturas, encontraríamos a salvação, não para alguns, mas como espécie. Portanto sim, acabam por ser mais colectivistas que os outros religiosos.

A Visão da lagartagem. Antonio Gil